Otorrinolaringologia

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Carne esponjosa no nariz: quando a cirurgia é a solução?

Entenda o que é a carne esponjosa no nariz, quais sintomas indicam problema, e quando a cirurgia é a melhor solução.
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Equipe Nossa Senhora do Carmo - Equipe Nossa Senhora do Carmo Atualizado em 29/04/2026
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A dificuldade para respirar, o ronco noturno e as infecções recorrentes podem ter uma causa em comum. Saiba quando a intervenção cirúrgica é necessária.

A dificuldade para respirar pelo nariz, o ronco noturno e as infecções frequentes têm mais em comum do que você imagina. Esses sinais podem indicar alterações em estruturas internas do nariz, impactando diretamente na qualidade de vida.

Popularmente chamada de “carne esponjosa”, essa condição pode envolver duas estruturas diferentes: as adenoides, mais comuns na infância, e os cornetos nasais, presentes em todas as idades. Quando aumentadas, elas dificultam a passagem de ar e levam à respiração pela boca, além de favorecerem quadros repetitivos de infecção.

Os sintomas nem sempre são leves. Obstrução nasal constante, sono agitado, ronco e até cansaço ao longo do dia podem surgir com o tempo. Em muitos casos, o tratamento inicial é feito com medicamentos mas, quando as abordagens clínicas não funcionam, a cirurgia passa a ser considerada. Procedimentos como a adenoidectomia e a turbinectomia têm como objetivo desobstruir as vias nasais, restaurando a respiração adequada e melhorando a saúde geral.

O que é a carne esponjosa no nariz?

Carne esponjosa não é um termo médico. Trata-se de uma expressão popular usada para descrever o aumento de duas estruturas diferentes dentro da via respiratória, cada uma com particularidades.

Adenoides: a "carne esponjosa" das crianças

As adenoides, ou tonsilas faríngeas, são tecidos linfoides semelhantes às amígdalas, localizados na parte de trás do nariz, onde ele se conecta com a garganta. Elas são parte do sistema imunológico e têm a função de produzir anticorpos, especialmente na primeira infância.

Com o crescimento da criança, as adenoides tendem a regredir naturalmente. Contudo, em alguns casos, elas podem crescer de forma exagerada (hipertrofia), bloqueando a passagem de ar e causando problemas respiratórios.

Cornetos nasais: a “carne esponjosa” em adultos e crianças

Os cornetos, também chamados de conchas nasais, são estruturas presentes no nariz de todas as pessoas. Formados por osso e revestidos por uma mucosa espessa, eles têm a função essencial de aquecer, umidificar e filtrar o ar que respiramos.

Quando essa mucosa sofre inflamação crônica, geralmente causada por rinite alérgica ou sinusite, ocorre o aumento do seu volume, conhecido como hipertrofia dos cornetos. Esse inchaço pode dificultar a passagem de ar e provocar obstrução nasal persistente.

Quais sintomas indicam um problema com a carne esponjosa?

O aumento das adenoides ou dos cornetos pode dificultar significativamente a passagem de ar pelo nariz, prejudicando a respiração de forma contínua. Esse bloqueio interfere no sono e também no funcionamento do organismo, já que a respiração nasal é essencial para filtrar e umidificar o ar. Com o tempo, os efeitos deixam de ser pontuais e passam a impactar o bem-estar de forma mais ampla.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • obstrução nasal persistente, que não melhora com descongestionantes comuns
  • respiração predominantemente pela boca, tanto de dia quanto à noite
  • ronco alto e sono agitado, podendo evoluir para apneia do sono
  • voz anasalada, conhecida como “fanha”
  • infecções de ouvido (otites) ou sinusites de repetição
  • em crianças, alterações no desenvolvimento da face e da arcada dentária

Esses sintomas tendem a se intensificar durante o sono, quando a posição deitada favorece ainda mais a obstrução das vias nasais. Além disso, a dificuldade para respirar pelo nariz pode interferir na alimentação, tornando as refeições mais cansativas e menos eficientes. Como consequência, podem surgir cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e, em alguns casos, impacto no peso e na qualidade de vida.

Quando a cirurgia de carne esponjosa no nariz é realmente necessária?

A indicação cirúrgica não é a primeira opção. Ela é reservada para casos específicos em que outras abordagens de tratamento não foram eficazes. A decisão é sempre baseada em uma avaliação médica detalhada.

Falha no tratamento clínico

Antes de considerar a cirurgia, o médico irá prescrever tratamentos para controlar a causa do inchaço. Isso geralmente envolve o uso de sprays nasais com corticosteroides, antialérgicos e lavagens nasais com soro fisiológico. Se após um período de tratamento adequado os sintomas persistirem, a cirurgia pode ser recomendada.

Impacto na qualidade de vida

A cirurgia é indicada quando a obstrução nasal é grave e causa complicações significativas, como:

  • apneia obstrutiva do sono, caracterizada por pausas respiratórias que reduzem a oxigenação e prejudicam o descanso
  • infecções recorrentes, como otites e sinusites, que persistem mesmo com tratamento medicamentoso
  • alterações no desenvolvimento craniofacial em crianças, com impacto no alinhamento dos dentes e no formato do rosto
  • dificuldade para se alimentar, com mastigação prejudicada, menor apetite e possível impacto no peso, especialmente em crianças Em quadros mais avançados, esses fatores se somam e afetam o desempenho físico e cognitivo, além de aumentar o desgaste ao longo do tempo. A correção da obstrução nasal, quando indicada, pode melhorar não apenas a respiração, mas também o sono, a alimentação e o bem-estar geral.

Como funciona a cirurgia para remover a carne esponjosa?

A cirurgia para tratar a chamada “carne esponjosa” é realizada por otorrinolaringologistas em ambiente hospitalar, sob anestesia geral. Atualmente, os procedimentos utilizam técnicas modernas e minimamente invasivas, com o auxílio de vídeo-endoscopia nasal, o que permite maior precisão e segurança.

A cirurgia tende a restabelecer a passagem de ar pelo nariz, corrigindo a obstrução e melhorando a respiração, reduzindo o ronco, sono fragmentado e respiração pela boca. A escolha do procedimento depende da estrutura afetada, podendo envolver as adenoides, os cornetos ou ambos.

Adenoidectomia: o procedimento para as adenoides

A adenoidectomia consiste na remoção do tecido adenoideano aumentado, que costuma obstruir a região posterior do nariz, especialmente em crianças. O procedimento é realizado pela boca, sem cortes externos, o que torna a técnica menos invasiva. A recuperação costuma ser rápida, com retorno gradual às atividades em poucos dias.

Turbinectomia ou turbinoplastia: a cirurgia dos cornetos

Nos casos envolvendo os cornetos, os procedimentos mais utilizados são a turbinectomia parcial ou a turbinoplastia. Diferentemente do que se imagina, não há remoção total dessas estruturas, mas sim a redução do seu volume, preservando suas funções de filtrar, aquecer e umidificar o ar. A cirurgia é realizada pelas narinas, sem incisões externas.

Além de desobstruir o fluxo de ar, a correção dos cornetos pode melhorar a ventilação dos seios da face e dos ouvidos, contribuindo para a redução de inflamações recorrentes. Em algumas situações, o procedimento pode ser associado à septoplastia, indicada para corrigir o desvio de septo e otimizar ainda mais a respiração nasal.

O que esperar do pós-operatório e da recuperação?

A recuperação varia de pessoa para pessoa, mas algumas orientações são gerais. Após o procedimento, é comum sentir o nariz entupido por alguns dias devido ao inchaço interno. A lavagem nasal com soro fisiológico é uma etapa essencial para a limpeza e cicatrização.

O médico poderá indicar:

  • repouso relativo nos primeiros dias, evitando esforço físico.

  • alimentação leve e fria nas primeiras 24 a 48 horas, especialmente na adenoidectomia.

  • evitar assoar o nariz com força.

  • uso de analgésicos para controlar qualquer desconforto.

A recuperação tende a ser progressiva, com melhora gradual da respiração conforme o inchaço diminui e a cicatrização avança. Nos primeiros dias, é comum ainda haver sensação de obstrução nasal, mas esse quadro costuma regredir com os cuidados indicados.

Quais são os riscos do procedimento?

Embora pouco frequentes, podem ocorrer sangramentos leves, infecções ou desconfortos temporários, geralmente controlados com os cuidados adequados no pós-operatório. A recuperação tende a evoluir bem quando as orientações são seguidas corretamente.

A decisão pelo procedimento considera a intensidade dos sintomas e o impacto na qualidade de vida. O acompanhamento com um otorrinolaringologista, como os profissionais do Hospital Nossa Senhora do Carmo, permite definir a conduta mais adequada para cada caso.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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