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Equipe Nossa Senhora do Carmo - Equipe Nossa Senhora do Carmo Atualizado em 17/06/2026

Gastroenterologia

5 minutos de leitura

Dor de estômago com enjoo: o que pode ser e quando buscar ajuda?

Sente dor de estômago e enjoo? Entenda as possíveis causas, de gastrite e refluxo a condições raras e intoxicação alimentar, e saiba quando procurar um médico.

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Esse desconforto duplo pode ter causas simples, como má digestão, mas também sinalizar condições que exigem atenção médica.

Aquele desconforto começa na parte alta do abdômen, uma queimação ou pontada incômoda. Logo em seguida, uma onda de náusea sobe, tirando o apetite e o bem-estar. A combinação de dor de estômago com enjoo é uma queixa extremamente comum nos consultórios médicos e pronto-atendimentos, podendo variar de um incômodo passageiro a um sinal de alerta.

Entender as possíveis origens desse quadro é o primeiro passo para buscar o alívio correto e, mais importante, saber quando a avaliação de um especialista é indispensável. Embora muitas vezes a causa seja benigna, a persistência ou a intensidade dos sintomas não deve ser ignorada.

Quais são as principais causas de dor de estômago acompanhada de enjoo?

Diversas condições podem se manifestar através dessa dupla de sintomas. Elas variam em gravidade e mecanismo, desde uma simples irritação na parede do estômago até infecções. Identificar outros sinais associados ajuda no direcionamento do diagnóstico.

Gastrite e úlcera péptica

A gastrite é a inflamação da mucosa que reveste o estômago. Quando essa inflamação se agrava e forma uma ferida, temos a úlcera. Ambas as condições podem ser causadas pela bactéria Helicobacter pylori, estresse crônico ou uso de certos medicamentos.

A dor, tipicamente sentida como uma queimação na "boca do estômago", piora ou melhora com a alimentação, dependendo do caso. A náusea surge como uma consequência direta dessa irritação gástrica.

Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)

Na DRGE, o conteúdo ácido do estômago retorna para o esôfago, o tubo que conecta a garganta ao estômago. Isso ocorre por uma falha no anel muscular que deveria impedir esse retorno.

O sintoma clássico é a azia, mas a dor epigástrica e o enjoo são muito frequentes. A sensação de náusea pode ser provocada pelo próprio retorno do ácido e pelo gosto amargo que chega à boca.

Indigestão ou dispepsia funcional

Muitas vezes chamada de "má digestão", a dispepsia funcional é uma condição clínica comum que causa dor de estômago e enjoo persistentes. Ela está frequentemente associada à sensação de queimação ou indigestão após as refeições.

A dor de estômago com enjoo nessa condição pode estar ligada a inflamações no intestino e a fatores como a ansiedade. Sintomas como desconforto na parte superior do abdômen, saciedade precoce e inchaço são comuns, especialmente depois de comer pratos mais pesados ou gordurosos.

Gastroenterite e intoxicação alimentar

As gastroenterites são infecções do trato digestivo, geralmente causadas por vírus ou bactérias. Quando adquiridas pelo consumo de água ou alimentos contaminados, são popularmente conhecidas como intoxicação alimentar.

Nesses casos, a dor de estômago e o enjoo costumam ser agudos e vêm acompanhados de vômitos, diarreia e, por vezes, febre. É uma resposta do corpo tentando eliminar o agente infeccioso.

Uso de medicamentos anti-inflamatórios

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno e o diclofenaco, são conhecidos por seu potencial de agredir o estômago. Eles inibem a produção de substâncias que protegem a mucosa gástrica, deixando-a vulnerável à ação do próprio suco gástrico. O uso contínuo ou em altas doses pode facilmente levar a dor, queimação e náuseas.

Condições menos comuns que causam dor de estômago e enjoo

Embora menos frequentes, algumas condições anatômicas ou cistos podem provocar dor de estômago e enjoo. Por exemplo, cistos no peito, especificamente aqueles que estimulam o nervo vago, uma importante via nervosa que liga o cérebro a muitos órgãos, podem causar esses sintomas persistentes. Outra causa rara é o vólvulo gástrico crônico, uma torção do estômago. Esta condição, muitas vezes associada a refluxo ou hérnia de hiato, pode levar a crises recorrentes de dor de estômago acompanhada de enjoo.

Anomalias estruturais raras, como o pâncreas anular, podem causar esses problemas digestivos. O pâncreas anular é uma condição onde o pâncreas forma um anel em volta do duodeno, a primeira parte do intestino delgado. Essa formação pode comprimir o intestino, resultando em dor de estômago e enjoo frequentes.

A dor de estômago com enjoo pode indicar gravidez?

Essa é uma das combinações de sintomas mais clássicas do início da gestação. As intensas alterações hormonais, especialmente a elevação do hormônio hCG, podem deixar o sistema digestivo mais lento e sensível, resultando em náuseas matinais e desconforto gástrico.

Geralmente, esses sintomas aparecem nas primeiras semanas e tendem a diminuir após o primeiro trimestre. É fundamental procurar avaliação médica para uma diagnóstico.

O que fazer para aliviar o desconforto em casa?

Para casos leves e passageiros, algumas medidas podem proporcionar alívio. Contudo, é fundamental lembrar que essas estratégias não substituem um diagnóstico médico se o problema for recorrente.

  • Prefira uma alimentação leve: opte por alimentos de fácil digestão, como arroz branco, batata cozida, frango grelhado e frutas não ácidas como banana e maçã.
  • Evite gatilhos: alimentos gordurosos, frituras, cafeína, bebidas alcoólicas, refrigerantes e comidas muito condimentadas devem ser evitados.
  • Hidrate-se bem: beba água em pequenos goles ao longo do dia. Chás de camomila ou hortelã também podem ajudar a acalmar o estômago.
  • Não se deite após comer: espere pelo menos duas horas antes de deitar para dificultar o refluxo do conteúdo gástrico.

Quando é o momento de procurar um médico?

A automedicação nunca é recomendada, mas alguns sinais indicam que a busca por atendimento médico deve ser imediata. Fique atento se a dor de estômago e o enjoo vierem acompanhados de:

  • Dor muito forte, súbita e que não melhora;
  • Vômitos persistentes que impedem a hidratação;
  • Presença de sangue no vômito (com aspecto de borra de café) ou nas fezes (escuras e com mau cheiro);
  • Febre alta (acima de 38,5°C);
  • Sinais de desidratação, como boca seca, pouca urina e tontura;
  • Perda de peso não intencional.

Esses podem ser sinais de condições mais graves, como úlceras perfuradas, pancreatite ou obstrução intestinal, que exigem diagnóstico e tratamento urgentes. Um gastroenterologista é o especialista mais indicado para investigar a causa do problema e definir a melhor conduta terapêutica.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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