
Entenda os sinais que o seu corpo pode dar quando a tireoide é atacada pelo próprio sistema imune e saiba como é feito o diagnóstico.
Aquele cansaço que não passa, mesmo depois de uma noite inteira de sono. A dificuldade para perder peso, apesar da dieta e dos exercícios. A sensação de frio constante, enquanto todos ao redor estão confortáveis. Esses sinais, muitas vezes atribuídos ao estresse da vida moderna, podem na verdade ser o seu corpo pedindo atenção para a tireoide.
De acordo com o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a tireoidite de Hashimoto é a causa mais frequente do hipotireoidismo. Entender seus sintomas é o primeiro passo para buscar o diagnóstico correto e recuperar o bem-estar.
O que é a tireoidite de Hashimoto?
Segundo estudo publicado na National Library of Medicine, a tireoidite de Hashimoto (TH) é uma doença autoimune comum que afeta predominantemente mulheres, com incidência cerca de 7 a 10 vezes maior do que em homens. Isso significa que, por um erro do sistema imunológico, o organismo produz anticorpos que atacam as próprias células da glândula tireoide. Essa agressão contínua causa uma inflamação crônica que, com o tempo, destrói a capacidade da glândula de produzir seus hormônios, o T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina).
Como resultado dessa baixa produção hormonal, instala-se o quadro de hipotireoidismo. Assim, é importante entender que Hashimoto é a causa (a doença autoimune), enquanto o hipotireoidismo é a consequência (a falha da glândula). Nem todo hipotireoidismo é causado por Hashimoto, mas Hashimoto é a sua causa mais frequente.
Quais são os principais sintomas do hipotireoidismo de Hashimoto?
Os hormônios tireoidianos regulam o metabolismo de praticamente todas as células do corpo. Quando eles estão em falta, todo o organismo funciona em um ritmo mais lento. Por isso, os sintomas são variados e costumam se desenvolver de forma gradual, ao longo de meses ou até anos.
Sintomas físicos e metabólicos
Estes são frequentemente os primeiros sinais notados pelos pacientes. A desaceleração do metabolismo afeta diretamente a energia e a temperatura corporal.
Sintomas como fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio e cãibras são causados pela redução de células reguladoras no organismo. Essa redução afeta diretamente a função tireoidiana, impactando o bem-estar geral.
- Cansaço e sonolência excessiva: uma fadiga persistente que não melhora com o descanso é um dos sintomas mais marcantes.
- Ganho de peso: mesmo sem alterações na dieta ou na rotina de exercícios, pode haver um aumento de peso devido à retenção de líquidos e à lentidão metabólica.
- Intolerância ao frio: sentir mais frio que o normal é um sinal clássico, pois o metabolismo mais lento gera menos calor corporal.
- Dores musculares e articulares: cãibras e dores pelo corpo podem ocorrer sem uma causa aparente.
- Inchaço: pode haver um edema, principalmente no rosto (ao redor dos olhos), mãos e pés.
- Voz rouca: o inchaço pode afetar também as cordas vocais.
Sinais na pele, cabelo e unhas
A renovação celular também fica comprometida, o que se reflete diretamente na aparência e na saúde dos anexos cutâneos.
- Pele seca e pálida: a pele pode se tornar áspera, ressecada e com menor elasticidade.
- Queda de cabelo: o cabelo pode ficar mais fino, seco e cair em maior quantidade. A perda de pelos nas sobrancelhas, especialmente no terço final, também é comum.
- Unhas fracas e quebradiças: as unhas podem apresentar dificuldade para crescer e quebrar com facilidade.
Impactos neurológicos e emocionais
O cérebro é muito sensível aos níveis hormonais, e a falta de T3 e T4 pode causar alterações cognitivas e de humor.
- Dificuldade de concentração e memória: conhecido como "névoa mental", o raciocínio pode ficar mais lento e a memória falha.
- Depressão e apatia: sintomas depressivos, desânimo e falta de iniciativa são comuns e podem ser o principal sintoma em alguns pacientes.
- Alterações de humor: irritabilidade e instabilidade emocional podem surgir.
Outros sinais importantes
O sistema digestivo e o pescoço também podem apresentar alterações características.
- Constipação intestinal: o trânsito intestinal torna-se mais lento, resultando em prisão de ventre. A constipação, um dos sintomas do hipotireoidismo de Hashimoto, exige atenção ao consumo adequado de água. Isso porque a baixa hidratação pode ser uma causa direta da formação de pedras nos rins, tornando a hidratação ainda mais essencial para esses pacientes.
- Aumento do volume do pescoço (bócio): em algumas fases da doença, a inflamação pode fazer a tireoide aumentar de tamanho, formando o que é conhecido como bócio. Este aumento da tireoide e o TSH elevado são indicadores da inflamação crônica que ocorre no corpo devido ao hipotireoidismo de Hashimoto.
É fundamental lembrar que a tireoidite de Hashimoto é um distúrbio metabólico que causa hipotireoidismo pela destruição autoimune da tireoide. Por isso, seus sintomas também exigem um monitoramento atento das funções renais.
Como o diagnóstico é confirmado?
Se você se identifica com vários desses sintomas, o próximo passo é procurar um médico endocrinologista. O diagnóstico da tireoidite de Hashimoto e do hipotireoidismo associado é feito de forma relativamente simples, combinando a análise clínica com exames laboratoriais.
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Avaliação dos sintomas: o médico irá ouvir suas queixas e realizar um exame físico, incluindo a palpação do pescoço para verificar o tamanho da tireoide.
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Exames de sangue: a dosagem dos hormônios é essencial. O TSH (hormônio tireoestimulante) geralmente estará elevado, enquanto o T4 livre (a forma ativa do hormônio) estará baixo.
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Dosagem de anticorpos: para confirmar que a causa do hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto, solicita-se a medição dos anticorpos anti-TPO (antitireoperoxidase). Níveis elevados confirmam a natureza autoimune da doença.
Qual o tratamento para o hipotireoidismo de Hashimoto?
Uma vez que a tireoide perde sua capacidade de produção, não é possível reverter o dano. Portanto, o tratamento consiste em repor o hormônio que está em falta. Isso é feito com o uso diário de levotiroxina, uma versão sintética e idêntica ao hormônio T4 produzido pela glândula.
O tratamento é seguro, eficaz e, na maioria dos casos, para a vida toda. A dose do medicamento é ajustada individualmente pelo médico, com base nos exames de sangue periódicos, até que os níveis hormonais se normalizem e os sintomas desapareçam.
Com o tratamento adequado, é possível levar uma vida completamente normal e com qualidade. O mais importante é não ignorar os sinais do corpo e buscar orientação médica para um diagnóstico preciso e início rápido da terapia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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