
Entenda o procedimento que restaura a estabilidade do joelho, desde a técnica cirúrgica até a fisioterapia essencial.
A ruptura do ligamento cruzado anterior, conhecida pela sigla LCA, é comum em esportes com mudanças rápidas de direção. Muitas vezes acontece de forma súbita, com um estalo no joelho e dor intensa logo depois. Esse ligamento é fundamental para a estabilidade da articulação. Sem ele, até movimentos simples podem gerar insegurança.
A cirurgia reconstrói o LCA rompido e devolve estabilidade ao joelho. O método mais utilizado é a artroscopia, técnica minimamente invasiva feita com pequenas incisões. Isso reduz o impacto no corpo e facilita a recuperação. Durante a operação, o ligamento não é reparado, mas substituído por um enxerto que costuma vir de tendões do próprio paciente, como o patelar ou os isquiotibiais. Com o tempo, ele se integra ao organismo e passa a exercer a mesma função.
A recuperação leva, em média, de seis a nove meses e depende da fisioterapia. O processo acontece em etapas, com ganho progressivo de força e movimento, e o retorno às atividades ocorre de forma gradual e segura.
O que é a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior?
A cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior é um procedimento ortopédico realizado para substituir um ligamento rompido e restaurar a estabilidade do joelho. Esse ligamento é uma das principais estruturas responsáveis por controlar a rotação e o deslocamento da articulação durante movimentos do dia a dia e atividades esportivas.
Quando ocorre uma ruptura completa, esse tecido não consegue se regenerar de forma eficiente. Por isso, em vez de ser reparado, ele é substituído por um enxerto que passa a exercer sua função ao longo do tempo, permitindo que o joelho volte a ter estabilidade.
Sem essa estrutura funcional, é comum que o joelho apresente episódios de instabilidade, conhecidos como “falseio”, principalmente em movimentos de giro ou mudança rápida de direção. Com o tempo, essa instabilidade pode sobrecarregar outras estruturas da articulação, como meniscos e cartilagem, aumentando o risco de desgaste precoce.
Quando a cirurgia é indicada?
A indicação cirúrgica depende do impacto da lesão na rotina e das demandas físicas de cada pessoa. Em muitos casos, o tratamento é definido com base na presença de instabilidade e no risco de novas lesões como:
- dificuldade para realizar atividades simples sem sensação de instabilidade no joelho
- episódios frequentes de “falseio” durante caminhada, corrida ou subida de escadas
- desejo de retornar a esportes que envolvem salto, giro e mudança rápida de direção
- presença de lesões associadas, como lesões de menisco ou cartilagem
- necessidade de preservar a articulação e reduzir risco de desgaste futuro
Após a lesão inicial, é comum aguardar um período de algumas semanas antes da cirurgia. Esse intervalo permite reduzir o inchaço e melhorar a mobilidade, o que contribui para um procedimento mais seguro e uma recuperação mais eficiente.
Como é feita a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior
A cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior é um procedimento ortopédico minimamente invasivo indicado para restaurar a estabilidade do joelho após a ruptura deste ligamento. O procedimento é realizado por artroscopia e, em geral, dura entre 60 e 90 minutos.
Artroscopia no joelho: técnica minimamente invasiva
A reconstrução do ligamento cruzado anterior é feita por artroscopia, técnica que utiliza pequenas incisões ao redor do joelho. Em uma dessas incisões, é inserida uma microcâmera que permite a visualização interna da articulação em alta definição.
Por meio de outras incisões, são introduzidos instrumentos cirúrgicos específicos para a retirada dos fragmentos do ligamento rompido e para a preparação da área onde será realizada a reconstrução. Essa abordagem reduz o trauma cirúrgico, diminui a dor no pós-operatório e favorece uma recuperação funcional mais rápida em comparação às técnicas abertas.
Enxerto para reconstrução do ligamento cruzado anterior
A reconstrução do ligamento cruzado anterior é realizada com o uso de um enxerto, geralmente autólogo, ou seja, retirado do próprio paciente. As fontes mais utilizadas são os tendões flexores do joelho (grácil e semitendíneo) e o tendão patelar.
Os tendões flexores estão associados a menor dor na área de retirada e menor impacto estético da incisão, podendo apresentar como limitação uma fraqueza temporária na flexão do joelho. Já o tendão patelar oferece alta resistência mecânica e integração óssea mais rápida, porém pode estar relacionado a dor anterior no joelho no período pós-operatório.
Após a retirada, o enxerto é preparado e moldado para atingir o comprimento e a resistência adequados para atuar como o novo ligamento cruzado anterior.
Fixação do enxerto e reconstrução do ligamento
Após a preparação, são realizados túneis ósseos na tíbia e no fêmur, nas regiões anatômicas originais do ligamento cruzado anterior. O enxerto é então posicionado nesses túneis e tensionado para restaurar a estabilidade articular.
A fixação do enxerto é feita com dispositivos como parafusos de interferência ou botões de fixação, que garantem estabilidade imediata do enxerto. Em alguns casos, esses materiais são bioabsorvíveis e reabsorvidos pelo organismo ao longo do tempo.
Essa fixação permite o início precoce da fisioterapia, etapa fundamental no protocolo de reabilitação do ligamento cruzado anterior, contribuindo para a recuperação da mobilidade, força muscular e estabilidade do joelho.
O que esperar do período pós-operatório?
A recuperação da cirurgia do ligamento cruzado anterior é um processo progressivo e exige disciplina na reabilitação. O resultado não depende apenas do procedimento cirúrgico, mas principalmente da evolução guiada pela fisioterapia e da adesão do paciente ao tratamento.
Nas primeiras horas após a cirurgia, o foco está no controle da dor e do inchaço. O paciente geralmente recebe alta em até 24 horas, dependendo da evolução clínica. O uso de medicação analgésica e aplicação de gelo ajudam a reduzir o desconforto inicial.
O uso de muletas é indicado para evitar sobrecarga na perna operada. Em muitos casos, o apoio parcial do pé no chão já é permitido conforme a tolerância, sempre seguindo orientação médica.
Cronograma de recuperação e fisioterapia
A fisioterapia começa ainda nos primeiros dias após a cirurgia e é o principal fator para uma boa recuperação. O processo é dividido em fases, com progressão gradual de carga e intensidade.
Fase 1 (0 a 6 semanas): foco no controle do inchaço, recuperação da extensão completa do joelho, ativação do músculo quadríceps e retomada da marcha sem muletas.
Fase 2 (6 semanas a 3 meses): início do fortalecimento muscular progressivo, treino de equilíbrio e exercícios funcionais leves, como bicicleta ergométrica e elíptica.
Fase 3 (3 a 6 meses): aumento da intensidade do fortalecimento e início de atividades como corrida leve em linha reta, sempre com acompanhamento profissional.
Fase 4 (após 6 meses): fase de retorno esportivo, com exercícios mais complexos que simulam movimentos do esporte, como saltos e mudanças de direção. O retorno completo às atividades esportivas costuma ocorrer entre 9 e 12 meses, após avaliação funcional.
Quais são os riscos e possíveis complicações?
A reconstrução do ligamento cruzado anterior é considerada um procedimento seguro, com altas taxas de sucesso quando bem indicada e realizada por equipe especializada, como em serviços de ortopedia hospitalar estruturados, a exemplo do Hospital Nossa Senhora do Carmo. Ainda assim, como em qualquer cirurgia, existem riscos que precisam ser conhecidos.
Entre as possíveis complicações estão:
- infecção na região operada
- trombose venosa profunda
- rigidez do joelho (artrofibrose)
- dor persistente no pós-operatório
Essas complicações não são frequentes, mas podem ocorrer e exigem atenção durante o acompanhamento após a cirurgia.
A maior parte dos riscos pode ser reduzida com cuidados adequados no pós-operatório. Seguir corretamente as orientações médicas, manter a higiene do local operado e realizar a fisioterapia de forma regular são medidas essenciais para uma recuperação segura. Além disso, o acompanhamento contínuo da equipe de saúde permite identificar qualquer alteração precocemente e agir de forma adequada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
HAYBÄCK, G.; RAAS, C.; ROSENBERGER, R. Failure rates of common grafts used in ACL reconstructions: a systematic review of studies published in the last decade. [Updated 2021]. In: Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery [Internet]. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00402-021-04147-w. Acesso em: 27 abr. 2026.
LOU, J. et al. Comparison of the biomechanical properties of grafts in three anterior cruciate ligament reconstruction techniques based on three-dimensional finite element analysis. [Updated 2024]. In: Journal of Orthopaedic Surgery and Research [Internet]. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s13018-024-04777-x. Acesso em: 27 abr. 2026.
LYNCH, T. S. et al. The impact of the multicenter orthopaedic outcomes network (moon) research on anterior cruciate ligament reconstruction and orthopaedic practice. [Updated 2015]. In: Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons [Internet]. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.5435/JAAOS-D-14-00005. Acesso em: 27 abr. 2026.
SELVA-SARZO, F.; NEBOT-SANCHIS, L. I. Combined rupture of the right anterior cruciate ligament and patellar tendon on a 28-year-old spanish professional handball player successfully treated by single-stage reconstructive surgery. [Updated 2022]. In: American Journal of Case Reports [Internet]. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.12659/AJCR.937689. Acesso em: 27 abr. 2026.
