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Fibrose no joelho após cirurgia: por que acontece e como tratar a rigidez

Seu joelho está rígido ou "travado" após uma cirurgia? Pode ser fibrose; entenda a causa da rigidez.
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Equipe Nossa Senhora do Carmo - Equipe Nossa Senhora do Carmo Atualizado em 29/04/2026
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Entenda a artrofibrose, complicação que causa dor e limitação de movimento, e conheça as abordagens para recuperar a função do joelho.

A fibrose no joelho, também chamada de artrofibrose, é uma condição em que ocorre formação excessiva de tecido cicatricial dentro da articulação após uma cirurgia ou um trauma. Esse processo de cicatrização acaba sendo exagerado e reduz a mobilidade do joelho, deixando a articulação mais rígida do que o esperado.

O sinal mais comum é a dificuldade progressiva para movimentar o joelho, tanto para estender quanto para dobrar a perna completamente. Essa condição pode aparecer após diferentes procedimentos ortopédicos no joelho, como reconstrução ligamentar, colocação de próteses ou tratamento de fraturas. Em alguns casos, a resposta inflamatória do organismo durante o processo de cicatrização leva à formação de aderências internas, que reduzem a elasticidade da articulação.

O tratamento costuma começar de forma conservadora, com fisioterapia intensiva e direcionada para ganho de mobilidade e liberação gradual das aderências. Quando a rigidez persiste, podem ser necessários procedimentos como manipulação do joelho sob anestesia ou artroscopia para remoção do tecido cicatricial em excesso.

O que é a artrofibrose no joelho e como ela se forma?

A artrofibrose, nome técnico para a fibrose articular, é uma resposta inflamatória exacerbada do corpo a uma lesão ou procedimento cirúrgico. Durante a cicatrização normal, o organismo produz colágeno para reparar os tecidos. Na artrofibrose, essa produção sai de controle.

O resultado é a formação de um tecido cicatricial denso e desorganizado, semelhante a uma teia de aranha espessa dentro da articulação. Essas faixas de tecido, chamadas de aderências, se espalham internamente e “grudam” as estruturas do joelho, limitando o deslizamento natural da articulação e causando dor, rigidez e perda de movimento.

A causa exata ainda não é totalmente definida, mas a condição está associada a uma resposta inflamatória mais intensa durante a recuperação. Em vez de uma cicatrização equilibrada, ocorre produção excessiva de tecido fibroso, o que favorece o endurecimento progressivo do joelho.

Entre os fatores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento estão:

  • imobilização prolongada do joelho após cirurgia
  • atraso no início ou execução inadequada da fisioterapia
  • cirurgias mais complexas (como reconstruções ligamentares múltiplas, prótese de joelho ou correção de fraturas)
  • complicações como infecção ou sangramento excessivo
  • predisposição individual para formação de cicatrizes mais espessas

A imobilização prolongada com gesso após cirurgia é um dos pontos mais relevantes, pois pode aumentar significativamente o risco de rigidez articular importante. Estudos indicam que essa condição pode elevar várias vezes a chance de desenvolvimento de artrofibrose quando comparada a protocolos com mobilização precoce.

Diagnóstico e sintomas da artrofibrose no joelho

O diagnóstico da artrofibrose é realizado a partir da avaliação clínica com o ortopedista especialista em joelho, levando em conta a evolução após a cirurgia ou lesão e a resposta à fisioterapia. Um dos pontos mais importantes da análise é a ausência de melhora na mobilidade ao longo do tempo. O exame físico é essencial para medir a amplitude de movimento e comparar com o joelho contralateral, enquanto exames de imagem, como a ressonância magnética, podem ser solicitados para complementar a investigação e excluir outras causas de rigidez.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • rigidez progressiva do joelho, com dificuldade para estender ou dobrar completamente
  • sensação de travamento ou bloqueio durante os movimentos
  • dor persistente ao tentar ganhar amplitude de movimento
  • inchaço que não evolui como esperado no pós-operatório
  • alteração da marcha e dificuldade para caminhar normalmente
  • limitação de movimento que não melhora mesmo com fisioterapia adequada

Esse conjunto de achados ajuda a diferenciar a rigidez esperada após cirurgia de um quadro de artrofibrose, que tende a apresentar evolução limitada mesmo com reabilitação contínua.

Quais são as opções de tratamento para a fibrose no joelho?

O tratamento da artrofibrose exige uma abordagem proativa e, muitas vezes, multidisciplinar. O objetivo é quebrar as aderências e restaurar a mobilidade. A boa notícia é que, com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue recuperar a função do joelho. Apesar do desafio que a fibrose impõe com o excesso de tecido cicatricial limitando o movimento, intervenções médicas como a manipulação ou cirurgia demonstram sucesso em restaurar a flexibilidade.

Fisioterapia: a base da recuperação

A fisioterapia é a pedra angular do tratamento. Ela deve ser iniciada o mais cedo possível e focada agressivamente no ganho de amplitude de movimento. É importante ressaltar que, embora seja comum sentir o joelho rígido após a cirurgia, a maioria dos pacientes recupera o movimento adequado com a fisioterapia, muitas vezes sem a necessidade de uma nova operação.

As sessões podem ser desconfortáveis, pois o objetivo é justamente "esticar" e "romper" o tecido cicatricial restritivo. A consistência e a dedicação do paciente em realizar os exercícios em casa são cruciais para o sucesso.

Medicamentos para controle da dor e inflamação

Anti-inflamatórios e analgésicos podem ser prescritos pelo seu médico para ajudar a controlar a dor e o processo inflamatório. Isso torna as sessões de fisioterapia mais toleráveis e eficazes, mas os medicamentos sozinhos não resolvem o problema mecânico das aderências.

Manipulação sob anestesia: quando a fisioterapia não é suficiente

Se, após semanas de fisioterapia intensiva, o ganho de movimento for mínimo, o médico pode indicar uma manipulação sob anestesia. Neste procedimento, o paciente é sedado em centro cirúrgico e o ortopedista força o joelho a dobrar e esticar, rompendo as aderências de forma controlada.

É fundamental que o paciente inicie uma sessão de fisioterapia imediatamente após o procedimento, muitas vezes no mesmo dia, para manter o movimento conquistado.

Procedimentos cirúrgicos para liberação das aderências

Para os casos mais graves e crônicos, a cirurgia pode ser a melhor opção. O procedimento, chamado de artrodese artroscópica, é minimamente invasivo. O cirurgião insere uma câmera e pequenos instrumentos no joelho para visualizar e remover o tecido cicatricial excessivo.

Assim como na manipulação, a reabilitação fisioterápica imediata e intensa é a chave para evitar que a fibrose se forme novamente.

É possível prevenir a formação de fibrose no joelho?

A fibrose no joelho não pode ser evitada em todos os casos, mas o risco de rigidez articular pode ser reduzido com uma recuperação bem conduzida. O ponto mais importante é evitar longos períodos de imobilidade após a lesão ou cirurgia, respeitando sempre os limites definidos pelo ortopedista.

O controle do inchaço e da dor no período inicial também ajuda a manter o joelho mais “solto”, favorecendo a evolução natural da mobilidade. Quando a articulação permanece muito inflamada por tempo prolongado, aumenta a chance de formação de tecido cicatricial mais espesso dentro do joelho.

A recuperação deve ser acompanhada de forma contínua por um especialista, com ajustes ao longo do processo conforme a evolução do movimento. Em situações em que a flexão ou extensão do joelho não progride como esperado, a avaliação precoce é importante para evitar que a rigidez se torne mais resistente ao tratamento.

Quando acompanhada por serviços ortopédicos hospitalares, como o Hospital Nossa Senhora do Carmo, a identificação rápida de alterações na evolução do pós-operatório permite intervenções mais simples e melhores resultados funcionais.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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